Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Apresentação do Cantinho da Flauta


A melhor forma de me apresentar é referir o que me motiva. Tenho feito todos os esforços para entender a essência das relações entre a Arte, Filosofia e Ciência e a natureza humana (Espírito, Mente, Emoções, Corpo).
Embora a exploração continue, deixo a essência do que tenho descoberto, em 3 aforismos:
  • "Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia"
Sir Arthur C. Clarke (co-inventor do satélite de
comunicações e autor de "2001, Odisseia no Espaço")


A este aforismo, eu acrescentaria:
  • "Qualquer sabedoria suficientemente avançada é inseparável da totalidade"
  • Qualquer especialização suficientemente avançada é indistinguível da idiotice"

Rui Augusto, actualmente e desde 1997, sou professor de Flauta Transversal no Conservatório Regional de Setúbal.





Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

A afinação e a obsessão do Lá


A afinação e a Flauta Transversal é um tópico interessante, uma vez que na minha experiência enquanto professor já acompanhei vários alunos desde o momento em que deram as primeiras notas, até ao ponto de eles ganharem consciência das origens de um correcto controlo da afinação. A veracidade das suas experiências é a melhor prova e os seus relatos confirmam uma realidade concreta e repetível, sempre que tocavam em bandas filarmónicas ou orquestras. Talvez o oboé não seja o instrumento mais afinado da orquestra, aquele que tradicionalmente é escolhido para dar a nota de afinação, nota que aliás deveria ser dada sempre em relação a outra (como o ré). A prática mostra que ao seu lado, um flautista consciente do seu instrumento, poderá no mínimo acompanhar a precisão do oboé. Este é o assunto a tratar adiante.

Debruço-me sobre a afinação da flauta transversal, aquela a que todos assistimos nos segundos anteriores ao início de uma audição ou recital. A afinação, enquanto desequilíbrio estrutural e/ou específico de algumas marcas de flauta, ultrapassa a intenção deste artigo, este assunto pode ser encontrado em variada bibliografia, pelo que me irei cingir às observações que provavelmente nunca verão por escrito. Na peugada da afinação, entre o relativo e o absoluto.

São os detalhes que distinguem o bom, do muito bom, ou o muito bom, do excelente. Obviamente, avaliar pode ser bastante subjectivo, ou por outro lado, reducionista, depende sempre da capacidade, à partida, do avaliador percepcionar detalhes e do valor que dá ao que é capaz de percepcionar (o que existe nesse seu mundo).

A afinação depende de 5 factores:
  1. Da velocidade da coluna de ar;
  2. Do ângulo de ataque da coluna de ar;
  3. Da relação torcional entre braços e boca;
  4. Da ressonância, via postura e respiração;
  5. Da acuidade psicomotora do tocador.
A qualidade da sonoridade está intimamente ligada à precisão da afinação, são totalmente interdependentes. A potência sonora e o esforço de suporte também se encontram conectados sistemicamente. A flauta nunca terá a potência de um trombone, uma vez atingida a sua potência óptima, incrementando a ressonância ao máximo, todo o acréscimo de potência sonora será feito às custas da qualidade ou do equilíbrio de outro factor.

A concentração sonora tem relação directa com o vibrato. Ele é uma manifestação do estado de homeostasia sonora, o momento em que deveremos considerar que o som ganha vida própria, tal e qual como no Homem se distingue o estado vibrante da Saúde (homeostase), do estado baço e doentio. A capacidade expressiva depende da capacidade de atingir este equilíbrio eutónico capaz de alimentar ou anular o vibrato, ambas as acções custam esforço ao flautista, uma vez que as duas são fugas a um estado de equilíbrio com maior inércia intrínseca. Por último, o vibrato é ele mesmo uma flutuação da afinação (uma órbita) e torna óbvia a natureza intrincada dos 5 factores descritos. A aprendizagem e a experimentação do que afirmo é complexa de escrever, de modo a abordar todas as dúvidas que se podem levantar, só em aulas é possível exemplificar e demonstrar, ou se já tem bastante prática de flauta, naturalmente tenderá a encontrar o sentido destas palavras.



Família das flautas transversais







Bem-vindos
ao reino confuso
da família das flautas,
onde tudo é uma
questão de tamanho:








Flautas com a cabeça torcida existem por duas razões:
  1. para as crianças (permite o alcance do braço), vem com cabeça curva e direita
  2. para acomodar um tubo comprido (nas flautas maiores)

As flautas transversais mais usadas:


alto
normal




Alguns tamanhos de flautas cairam em desuso, recordo-me por exemplo, quando comecei a tocar na banda da Sociedade Filarmónica Operária Amorense em 1983, tinha 11 anos, às vezes apareciam partituras para flautim em mi bemol, embora eu nunca tenha por lá visto o picoletto.

A história está repleta de peripécias flautísticas, é um instrumento muito divertido e luminoso. O picoletto encerrou a aventura pelas altas frequências porque é fisicamente impossível ultrapassar os 5000 Hz, o mesmo não aconteceu com as flautas graves, como veremos adiante. Antes de se haver normalizado a afinação do Lá3 a 440 Hz (em meados do séc. XIX e definitivamente em 1953), um flautista possuia imensas partes de flauta para adaptar a afinação de local para local. Um pesadelo, não admira que Mozart se tenha queixado ao pai da afinação na flauta !!!




(rara)






Na imagem ao lado pode observar uma cabeça de flauta baixo em madeira, o som da madeira é mais doce e suave.



Em termos de cabeças, novas experiências estão no mercado, é algo bastante típico na flauta, não sei se por causa do instrumento, se por causa dos flautistas mas é divertido. Veja a cabeça de cisne, e a cabeça vertical.




Flauta baixo vai até dó2

Flauta duplo contrabaixo vai até dó1
Flauta hiperbaixo vai até dó0 (23 Hz)

Uff, flautas de peso !!!



Flauta duplo-contrabaixo??? !!! oh não !!!
(feita por Kotato & Fukushima)












Roberto Fabbriciani - flauta hiperbaixo - Ururashraju de "Glaciers"




Imaginem 8 metros de tubo, afinados em dó, quatro oitava abaixo da flauta normal !!! Não consigo evitar a ironia, mas tocar nesta flauta deve ser radicalmente vibrante, uma experiência verdadeiramente transcendental ou xamânica (EAC - estado alterado de consciência) ... ah, ah, ah ,ah!!!...




todas juntas em
ou

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